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Transtornos Psiquiátricos inspirados em Personagens Literários

1. Síndrome de Peter Pan

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Todas as crianças, exceto uma, crescem.

J.M. Barrie

Em 1911, o escocês J.M. Barrie nos apresentou à Terra do Nunca, lar encantado do Capitão Gancho, da Sininho, dos Garotos Perdidos e, claro, de Peter Pan, a criança que não queria crescer. Em 1938, o psicólogo Dan Kiley descreveu uma doença em que as pessoas, “apesar de terem alcançado a idade adulta, eram incapazes de encarar os sentimentos e as responsabilidades de um adulto”. A essa condição, ele deu o nome de “Síndrome de Peter Pan”. Ao contrário da maioria dos transtornos mentais, a Síndrome de Peter Pan acomete mais homens do que mulheres. A superproteção dos pais tem sido sugerida como um possível fator desencadeador da síndrome em indivíduos predispostos.

Kiley também usou o termo “Síndrome de Wendy”, dessa vez para descrever mulheres com comportamento excessivamente maternal em relação a seu companheiro ou outras pessoas próximas. “Wendy é a mulher por trás do Peter Pan. É ela que lida com as coisas que ele não é capaz de lidar”.

2. Síndrome de Huckleberry Finn

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Seres humanos podem ser horrivelmente cruéis uns com os outros.

Mark Twain

“As Aventuras de Huckleberry Finn” foi escrito por Mark Twain em 1884. Huck, o personagem principal, nunca conheceu a mãe. Seu pai está constantemente bêbado, nunca dorme em casa, vive do que as pessoas lhe dão para comer e, com isso, não sobra nenhuma atenção para o filho. Huck cresce então sem nenhum senso de responsabilidade, matando aulas e desrespeitando regras.

A Síndrome de Huckleberry Finn então descreve um indivíduo que mostra-se incapaz de manter o nível de responsabilidade esperado de um adulto, o que leva a constantes mudanças de emprego, por exemplo. A síndrome parece ser explicada por um mecanismo de defesa ligado à rejeição parental, associado à baixa auto-estima e depressão. Um diagnóstico diferencial comum é o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

3. Síndrome de Dorian Gray

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Nos dias atuais, as pessoas sabem o preço de tudo e o valor de nada.

Oscar Wilde

No romance de Oscar Wilde, Dorian Grey é um narcisista aristocrata britânico, obcecado por sua aparência física, sendo capaz de atitudes impensadas para manter sua juventude eterna. A Síndrome de Dorian Grey, descrita pela primeira vez em 2001, caracteriza-se pela excessiva preocupação de um indivíduo com sua aparência, associada a dificuldades de lidar com o processo natural de envelhecimento. Geralmente, são indivíduos que consomem grande quantidade de cosméticos e podem até se submeter a inúmeras cirurgias plásticas na tentativa de manter a aparência jovem.

4. Síndrome de Otelo

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O ciúme é o monstro de olhos verdes que zomba da carne com que se alimenta.

William Shakespeare

Diferente das síndromes previamente listadas, a chamada “Síndrome de Otelo” é descrita no DSM-IV (Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais, 4ª edição) sob o nome de “Transtorno Delirante Paranoico do tipo ciumento”. Assim como o personagem de Shakespeare, o indivíduo doente apresenta um delírio centrado na convicção, sem motivo justo ou evidente, de que está sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico, podendo tomar medidas extremas para evitar a suposta infidelidade. Geralmente, o sujeito que apresenta esse delírio é extremamente dependente de forma emocional da pessoa amada. O ciúme patológico, como todo delírio, caracteriza-se por ser uma ideia irredutível. Não há prova de defesa, tudo conspira para acusar o “traidor”.

5. Síndrome de Rapunzel

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Rapunzel tinha magníficos cabelos compridos. Finos como fios de ouro.

Irmãos Grimm

A Síndrome de Rapunzel não está associada à personalidade da princesa do conto de fadas dos Irmãos Grimm. Trancada em uma torre sem portas ou escadas, Rapunzel usa seus muito longos cabelos dourados para que o príncipe chegue até ela. E foram esses cabelos que inspiraram o nome da síndrome, também chamada de tricotilomania, que se caracteriza por um distúrbio no controle dos impulsos, levando às pessoas a arrancar fios de cabelo na tentativa de controlar sintomas como ansiedade. Em alguns casos, as pessoas também comem os fios arrancados (tricotilofagia), o que pode levar a complicações como obstrução intestinal pela massa de cabelos (tricobezoar). Esses casos geralmente requerem intervenção cirúrgica.

6. Síndrome de Alice no País das Maravilhas

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“Era certamente um Mosquito muito grande: mais ou menos do tamanho de uma galinha”, Alice pensou.

Lewis Carroll

O nome “Síndrome de Alice no País das Maravilhas” foi sugerido por seu descritor, o psiquiatra inglês John Todd, fã da obra de Lewis Caroll. Trata-se de um surto psicótico, no qual a pessoa tem alucinações visuais que distorcem a forma e o tamanho dos objetos, fazendo-os parecer muito pequenos (micropsia) ou muito grandes (macropsia). Também pode haver distorção do tempo e do próprio corpo. Geralmente, é uma desordem temporária, associada a enxaqueca, ao uso de drogas psicoativas, como o LSD, e também a tumores cerebrais.

A obra de Lewis Carroll também inspirou a Síndrome de Cheshire Cat, descrita pela primeira vez em 1968 pelo médico britânico Eric George Lapthorne Bywaters, que descreve dois dilemas clínicos: (1) o paciente tem todos os sintomas de uma doença mas não tem a confirmação laboratorial ou (2) o paciente tem a confirmação laboratorial de uma doença mas não tem os sintomas. O artigo original pode ser encontrado clicando aqui.

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