Diário de Leitura

Diário de Leitura: Guerra e Paz, Semana 4

Olá, pessoal! Esse é um post super informal. Vou explicar.

Estou fazendo o projeto #LendoGuerraePaz, da Tatiana Feltrin. Estamos entre as páginas 450 e 600, aproximadamente e estamos lendo 150 páginas por semana. Eu geralmente deixo minhas impressões nos comentários do vídeo da Tati, mas na semana passada, deixei um textão. Pressentindo deixar um texto muito maior essa semana, resolvi escrever aqui no blog.

Para ver o vídeo da Tati de introdução ao projeto, clique aqui.

Para ver o primeiro diário de leitura, clique aqui.

Para ver o segundo diário de leitura, clique aqui.

Para ver o terceiro diário de leitura, clique aqui.

E para ver o dessa semana, sobre o qual eu vou comentar agora, clique aqui. Sugiro fortemente que você, pessoa linda que está aqui lendo meu post, veja o vídeo da Tati antes, caso você ainda não o tenha visto.

E vamos, finalmente, aos meus comentários:

Obs.: minha edição é a da Cosac Naify, a mesma da Tati, então são às páginas dela que eu estarei me referindo.

Sobre o fatídico e falho noivado da princesa Mária (diferentemente da Tati, eu pronuncio Marria, não sei o motivo) e do Anatole:

A Tati comenta que o Anatole é uma pessoa fútil e eu acabei marcando um parágrafo sobre ele na pág. 458 que ilustra bem isso:

“Depois de tirar o dólmã, Anatole pôs as mãos na cintura e sentou-se à mesa, em cujo canto ele, sorrindo, fixou seus olhos grandes e lindos, de maneira distraída. Encarava toda a sua vida como um divertimento ininterrupto que alguém, por algum motivo, tinha a obrigação de providenciar para ele. E agora era também assim que ele encarava a sua viagem à casa do velho raivoso e da herdeira rica e horrorosa. Tudo isso, nas suas conjecturas, poderia ser muito bom e divertido. “Por que não casar, se ela tão rica? Isso nunca atrapalha”, pensava Anatole.

Mlle. Bourienne (dama de companhia da princesa Mária) e a pequena princesa (Liza, esposa do príncipe Andrei, que está vivendo com o sogro enquanto o marido está na guerra), ambas muito bonitas, tentam deixar a princesa Mária mais apresentável para seu futuro noivo. A essa altura, Mária ainda se sente animada com o casamento, embora não tenha tantas esperanças de ficar mais bonita. Da página 461, alguns traços físicos e psicológicos de Mária:

“Mária suspirou, seus olhos bonitos apagaram-se, seu rosto corou e, com a feia expressão de vítima que surgia em seu rosto com mais frequência do que qualquer outra, ela se rendeu ao poder de Mlle. Bourienne e de Liza.”

Uma das partes mais engraçadas até agora está descrita na pág. 473. O príncipe Nikolai, pai da princesa Mária, está muito insatisfeito com a ideia do noivado, porque não quer perder sua filha. Logo, não faz esforço para ser simpático com seus visitantes.

[Príncipe Nikolai] – Ah! Ótimo. Pois então, meu caro, o senhor quer servir ao tsar e à pátria? É tempo de guerra. Um rapagão como o senhor precisa servir, precisa servir. E então, vai para o front?
– Não, príncipe. O nosso regimento partiu. Mas eu fui designado. Para o que eu fui designado mesmo, pai? – voltou-se para o pai, com uma risada.
– Grande, isso é que é servir no exército. Para o que fui designado! Ha-ha-ha! – pôs-se a rir o príncipe Nikolai Andréievitch.”

Princesa Mária quase aceita se casar com o príncipe, mas seu pai fica furioso e conta que o príncipe está se engraçando para sua dama de companhia, Mlle. Amélie Bourienne, e os dois são vistos juntos com frequência. Espera-se que a princesa Mária fique chateada e mande a menina embora ou coisa assim. Não é isso, no entanto, que Tolstoi nos conta na página 487:

“Minha vocação é outra”, pensava a princesa Mária. “Minha vocação é ser feliz com outra felicidade, a felicidade do amor e do autossacrifício. E, custe o que custar, farei a felicidade da pobre Amélie. Ela o ama com tanta paixão. Está arrependida com tanta paixão. Farei tudo para conseguir o seu casamento com ele. Se ele não é rico, darei a ela os recursos, vou pedir ao papai, vou pedir ao Andrei. Ficarei tão feliz quando ela for sua esposa. Ela é tão infeliz, uma estrangeira, solitária, desamparada! Meu Deus, com que paixão ela ama, se é capaz de perder o controle de si mesma de tal forma. Quem sabe eu também não faria o mesmo!…”, pensava a princesa Mária.

Passamos então para a parte da guerra, estamos cada vez mais próximos da Batalha de Austerlitz, vencida por Napoleão, o que não é um spoiler para você que foi à aula de História sobre Guerras Napoleônicas.

Lá no acampamento dos soldados, nosso querido Rostóv está contando a Boris e Berg sobre como foi ferido. Sobre isso, na pág. 505:

“Contou-lhes o seu incidente em Schöngraben exatamente como os que participaram de uma batalha costumam contá-la, ou seja, da forma como eles gostariam que fosse, da forma como eles ouviram outros contarem, pois assim era mais bonito contar, embora fosse completamente diferente do que de fato havia ocorrido.”

Uma parte que achei interessante foi a comparação do mecanismo de um relógio com a atividade militar, na pág. 537:

“Como no mecanismo de um relógio, também no mecanismo da atividade militar, uma vez começado um movimento, ele segue de modo irresistível até o resultado final, e também permanecem imóveis e indiferentes, até o momento da transmissão do movimento, as partes do mecanismo ainda não alcançadas por aquele impulso. As rodas rangem nos eixos, os dentes agarram, as roldanas chiam por causa da velocidade em que giram, e no entanto uma roda contígua permanece imóvel, como se estivesse disposta a ficar centenas de anos nessa imobilidade; mas chega a hora – uma alavanca engata e, obedecendo ao movimento, a roda estala-se ao mexer-se e se une também à mesma ação, cujo resultado e propósito ela não entende.”

A Batalha de Austerlitz então se desenvolve, de uma maneira muito desfavorável para o exército russo. Como a Tati comentou no vídeo, Rostóv está perdidamente apaixonado pelo tsar, dizendo que gostaria muito de ter a honra de morrer por ele e outras coisas assim. Então, assim como a Tati, achei emblemática a cena de encontro de Rostóv com seu imperador, nas págs. 596-598:

“Depois de percorrer cerca de três verstas e de passar pelas últimas tropas russas, perto de uma horta atravessada por um fosso, Rostóv avistou dois homens a cavalo parados diante do fosso. Um, de penacho branco no chapéu, por algum motivo pareceu conhecido a Rostóv; (…) O cavaleiro cuja figura parecia conhecida a Rostóv e que, por algum motivo não podia deixar de prender sua atenção, fez um gesto negativo com a cabeça e com a mão e, por aquele gesto, Rostóv reconheceu na mesma hora o seu chorado e idolatrado soberano.”

Por último, Andrei é capturado pelo exército inimigo e se vê de frente com Napoleão por duas vezes (até o fim desse Tomo, pelo menos). A primeira, quando está ferido no campo de batalha e a segunda, a que eu transcrevo aqui, quando lhe é apresentado entre os capturados:

[Napoleão]Et vous, jeune homme? E o senhor, jovem? – dirigiu-se a ele. – Como está se sentindo, mon brave?
Apesar de cinco minutos antes ter conseguido falar algumas palavras para os soldados que o carregavam, agora, com os olhos cravados em Napoleão, bem na sua frente, o príncipe Andrei ficou calado… Naquele momento, pareceram-lhe tão insignificantes todos os interesses que ocupavam Napoleão, tão mesquinho lhe pareceu o seu próprio herói, com aquela vaidade rasteira e sua alegria da vitória, em comparação com o céu alto, justo e bom, que ele via e compreendia – que não conseguiu responder.”

E assim termino minhas impressões de leitura dessa semana. Muitas partes interessantíssimas ficaram de fora, com certeza. Guerra e Paz é um livro de fôlego mas é um livro lindo, tem descrições lindas, a história é muito interessante, muito bem escrita, os personagens são muitíssimo bem construídos. Não se deixe levar pelo tamanho do livro. Se você juntar os sete livros do Harry Potter que você leu pela segunda vez em uma semana, dá muito mais páginas que os quatro Tomos de Guerra e Paz. Atentem para o fato de que isso não é uma crítica a Harry Potter, que eu adoro e já reli algumas vezes.

Não sei se vou manter esse esquema de posts ou se vou ficar apenas comentando lá no vídeo da Tati mesmo. Como vocês podem ver, estou um pouco atrasada. A Tati posta vídeo novo toda sexta e eu consigo terminar lá pela quarta seguinte.

Obrigada a você que leu até aqui, você deve realmente gostar de mim. Então vou deixar algumas pinturas sobre esse período histórico como agradecimento:

Öèôðîâàÿ ðåïðîäóêöèÿ íàõîäèòñÿ â èíòåðíåò-ìóçåå Gallerix.ru
Napoleão em Austerlitz, por François Gerárd
Alexander_I_of_Russia_by_F.Kruger_(1837,_Hermitage)
Imperador Alexandre I da Rússia, por Franz Krüger
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